sábado, 26 de março de 2011

27 de março - TOUROS - 176 anos de emancipação política




Acervo: Carlos Pacheco

O município de Touros, distante 100 km de Natal, é um dos maiores cartões postais, no tocante à sua importância histórico-cultural, dentro do contexto norte-rio-grandense. Terra onde teve início a conquista do Estado, com a chegada da expedição de Gaspar de Lemos, em 07 de agosto de 1501, portanto, há quinhentos e dez anos, na chamada Praia dos Marcos, onde foi chantado o marco colonial português; atualmente na Fortaleza dos Reis Magos.

Outros monumentos de destaque são os canhões do século XVIII; a igreja matriz do Bom Jesus dos Navegantes, com construção datada do ano de 1800; o farol do Calcanhar (o segundo maior do mundo e o mais alto da América Latina).

Como expressão folclórica, que mantém viva a tradição, o grupo, As Bandeirinhas (manifestação cultural existente, apenas, na cidade de Touros). Mulheres que se reúnem na casa da responsável pelo grupo e dançam até a meia-noite, quando o cortejo sai às ruas, acompanhado de um sanfoneiro, cantando músicas em louvor a Santo Antônio, São João e São Pedro; em seguida vão para o banho de rio.

Na poesia, autores de destaque como José Porto Filho, ex-prefeito e ex-diretor do clube de regatas carioca, Vasco da Gama, autor do livro Emoções Rimadas (1946); Luis Patriota, imortal da Academia Potiguar de Letras, autor de Livro D’alma (1922) e Poema das Jangadas (1935); José Francisco de Brito, autor de Cisco da Praia, e Ferreira Itajubá.

Na arte musical, Eduardo Medeiros, autor da melodia da Serenata do Pescador, a popular “Praieira”, em parceria com Otoniel Menezes; Pereira, Quinca Dú, José Maria, Raimundo Colônia e Manoel Ferreira da Costa (Manoel de Zizinho), bandolinista e violonista, residente em Natal (RN), com inúmeros métodos e partituras musicais, editados para os interessados na arte instrumental.

A literatura tem nomes como Antônio Nilson Patriota, imortal da Academia Norte-rio-grandense de Letras, autor de Itajubá Esquecido, O Vôo do Pássaro e o mais recente, Touros, uma Cidade do Brasil, além do Cel. Geraldo Gonzaga que escreveu o livro, Touros à meia tinta. A cantoria de viola tem o Domingos Tomás e Severino Ferreira, do distrito Boqueirão, falecido em acidente automobilístico.

Em janeiro de 1988, a cidade teve a oportunidade do resgate dos seus valores histórico-culturais, quando da realização da Primeira Semana de Cultura, em que as mais variadas expressões artísticas da região, se apresentaram em um palanque armado à beira-mar, como também, exposições do artesanato local e a participação da comunidade, desde os mais jovens aos contemporâneos e amigos dos poetas da “Esquina do Brasil”.

No ano dois mil, precisamente em maio, foi lançados o cd, Touros – Ivanildo Penha e convidados, com poesias musicadas de Porto Filho e Luis Patriota, além do Pe. Antônio Antas, autor do hino do padroeiro, o Bom Jesus dos Navegantes. Participaram, ainda, Airton Ramalho e os novos autores como Carlos Penha, Luiz Cláudio, autor deste artigo, e Ivanildo Penha, autor do hino oficial da cidade.

A vila foi a porta de entrada para os conquistadores europeus que, desbravando os oceanos, conduziram o seu marco ao novo mundo, como nos diz o poeta no seu hino:



Hino de Touros



Autor: Ivanildo Cortez de Souza


Quando o índio viu um barco
Navegando em mar profundo
Era um bravo conduzindo
O seu Marco ao Novo Mundo

Foi nascendo assim um grande povo
Que mais tarde ao negro uniu
Transformando tudo em mil amores
Nesta esquina do Brasil.

Touros, coração querido
Porto dos antigos
Explosão de cores
Como o verde do teu mar
Ou o teu céu azul
Da cor da tua bandeira

Na alegria ou na dor
Verás que o nosso amor
É puro e verdadeiro!

Das tuas pedras
As águas dos teus rios
Dos teus campos ao luar
És prá mim
A terra mais amada
Desta terra potiguar!

És farol que iluminas
Viajantes no seu rumo
Tens na tua juventude
Teu tesouro mais fecundo

Quando em mim a vida for embora
Sei que nada foi em vão
Levarei a mais doce ventura
De ser filho deste chão.

segunda-feira, 14 de março de 2011

14 de março - Dia da Poesia



Neste Dia da Poesia, o poema Tarrafas, do folclorista Deífilo Gurgel, musicado pelo meu amigo e parceiro musical, Iúri de Andrade (in memoriam).


TARRAFAS - Deífilo Gurgel

À sombra do cajueiro que floresce junto ao mar
Paciente o pescador tece a rede de pescar
Enquanto a mão se entretece nesse mister singular
Outra mão por trás do tempo vai tecendo sem cessar
A tarrafa que algum dia, vai pescar o pescador
Juntamente com seu tédio, seu sorriso e sua dor.

E tece com tal mestria essa tarrafa de vento
Que o pescador nunca pensa, quando pesca o seu sustento
Que a morte o está pescando, lentamente, dia a dia
Nessa embora inevitável, invisível pescaria.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Apresentação musical NAVEGANDO PELA VIDA



A apresentação musical “Navegando pela Vida” foi realizada no dia 03 de agosto de 1987, no palco do teatro Jesiel Figueiredo, na lateral da igreja de São Pedro. O teatro já não mais existe por decisão dos padres da congregação religiosa Sagrada Família.


Lá se vão vinte e três anos de minha primeira apresentação musical, e que foi fruto da oportunidade dada pelo projeto “Espaço Aberto”, da Secretaria de Cultura de Natal. O projeto sob a responsabilidade da compositora e cantora Ana Fernandes, na gestão do secretário de cultura Gileno Guanabara, administração Garibaldi Filho, oferecia espaço aos compositores e cantores iniciantes na arte musical potiguar, juntamente com ingressos, propaganda e veiculação em rádios locais, além de toda a estrutura ( palco, iluminação  e instrumentos) para a apresentação musical.

A minha decisão de participar teve o apoio significativo de meu professor de violão, à época, Lucinaldo Lucas (in memoriam) filho do mestre fabricante de violões que residia por trás do colégio Imaculada Conceição, no bairro da Cidade Alta.


Luiz Cláudio e Helena

Lucinaldo Lucas se encarregou de arrebanhar alguns dos músicos participantes da banda, além da participação fundamental do baixista Leonardo Teixeira, funcionário dos Correios em Natal e integrante da banda Mecanismo Sísmico, como também de Helena, flautista que tocou e teve participação vocal em algumas canções.

No leque de composições que integraram a apresentação, foram cantadas parcerias com os meus amigos Iúri de Andrade (in memoriam), com as músicas Razão de um Ato e Mistérios do Mar, assim como Lua do Escurecer, parceria com Ângela Catharine.


Iúri de Andrade

O folder entregue ao público foi produzido na Gráfica Santa Maria, do empresário tourense Ivanaldo Henrique Bezerra, além do apoio da Livraria Clima e do Armarinho Patrícia, comércio existente em Touros, à época.



O cenário da apresentação, de autoria do artista plástico Marcelino (in memoriam) funcionário do Colégio das Neves, teve como referência as belezas naturais da praia de Touros e o prospecto de apresentação contou com um comentário do compositor João Galvão:

“Há uma nova trupe de compositores, grupos e cantores no ar. Bastou o incentivo mínimo, a fresta, a janela, o espaço aberto e eles abriram as gavetas, desensacaram as violas, guitarras e flautas e desengasgaram de vez. Pé na estrada, companheiros, pois o caminho é longo e a batalha árdua.Hoje há mais um cantando. O povo simples da sua infância é matéria-prima da sua canção, a esperança de dias melhores, profissão de fé, o mar, o céu, cenário dos seus enredos e desenredos. Luiz Cláudio canta a praia, a jangada, o parracho, o tourinho. Touros entrou sem pedir licença na arte deste cantador, é barco que ele navega pela vida, e nunca foi tão importante cantar os cantos daquele canto antes que os velhotes americanos lancem mão. Haja som!”

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Entrevista com Ana Cláudia Moura sobre a greve dos agentes de saúde tourenses



A tourense Ana Cláudia P. de Moura é servidora publica da Prefeitura Municipal de Touros. Tem graduação em Pedagogia, com especialização em Psicopedagogia, e desde o ano 2003 trabalha no PSF - Largo de Nossa Senhora, como Agente Comunitária de Saúde.


1)Quais as condições de trabalho dos Agentes de Saúde no município de Touros? As condições de trabalho que a Prefeitura nos oferta são mínimas. Recebemos fardamento ainda na gestão do governo anterior. Sabemos que é de obrigação do gestor local fornecer fardamento, protetor solar, enquanto recebemos apenas dois durante todo o ano de 2010. Falta  transporte para deslocamento do Agente Comunitário de Saúde - ACS para as micro áreas, falta equipamento e material profissional suficiente para atender, pelo menos, as necessidades básicas  da população.

2) O atual quadro de Agentes de Saúde atende às necessidades da população tourense? Infelizmente não, porque existe deficiência na distribuição das áreas e micro áreas ainda descobertas.

3) Você poderia esclarecer quais as reivindicações da categoria e a posição oficial da Prefeitura? Melhores condições de trabalho, reajuste salarial e melhor atendimento de saúde à população que está sofrendo por falta de atendimento especializado como: cardiologista, oftamologista, psiquiatra, ortopedista, gastro, psicólogo, fisioterapeuta exames de endoscopia dentre outras. A posição da Prefeitura é alegar que não tem condições de reajustar nosso salário por não ter arrecadação própria do município, mas reivindicamos porque sabemos que esse reajuste é um repasse do Governo Federal que vem destinado para a categoria dos Agentes Comunitários de Saúde.

4) Quais as perspectivas do movimento grevista, caso não seja atendido pelas autoridades municipais?   É que seja aberto um canal nas reivindicações, tanto para o servidor quanto para a população, e que a Prefeitura se sensibilize. Os agentes têm uma grande contribuição no programa saúde da família. Caso não haja um avanço nas negociações temos que radicalizar o movimento chamando a atenção da população e também do Ministério Público, Promotoria de Saúde, Conselho Municipal de Saúde, Conselho Estadual de Saúde e, enfim, todas as autoridades envolvidas com o problema grave em que a saúde publica se encontra, para tentar todos juntos uma solução para todo esse processo de negociação que há mais de dois anos se encontra enterrado.

 5) Qual a mensagem dos Agentes de Saúde para a população, nesse momento de negociações? Pedimos desculpas à população tourense e estamos sensibilizados pelo problema que vá provocar a greve dos ACS, mais que somos obrigados a tomar essas medidas por motivo da Prefeitura não ter apresentado uma proposta que viesse a contemplar os trabalhadores.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Entrevista com a Presidente da APAE tourense


Ana Maria dos Santos Colônia


Ana Maria dos Santos Colônia, Presidente eleita da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE, é natural de Touros e filha do pescador falecido, Lourival dos Santos Colônia e da dona de casa, Maria Aparecida dos Santos. Ana é graduada em pedagogia, com especialização em psicopedagogia, e experiência como vice-presidente da APAE tourense. Atuou como coordenadora de encontros com jovens do EJAC, movimento ligado à igreja católica local, além do trabalho realizado com crianças e adolescentes no Conselho Tutelar e escolas do município.

1) Depois da experiência no Conselho Tutelar, como é ser eleita presidente da APAE, em seu município?
Ana Colônia - Para mim é de grande satisfação por ser eleita a primeira mãe de filho especial, presidente da APAE de Touros.

2) Como você encontrou a APAE, quais os projetos atualmente existentes?
Ana Colônia - Encontrei caminhando com algumas dificuldades, pois a instituição é filantrópica e sobrevive através de doações de pais, sócios e parceiros. Quanto aos projetos existentes na APAE, Secretária de Assistência Social – SAS, APAE ARRECADAÇÃO (Sócios), convênio com o ministério público dinheiro direto na escola, que é uma vez por ano. CONAB, que faz doações de alimentos, EMATER, IBAMA, CAMPANHA DO CIDADÃO NOTA DEZ, que é através do cupom fiscal, os comércios da cidade, prefeitura municipal de Touros.

3) Quantas crianças são atendidas na instituição, quais profissionais trabalham no dia a dia e como é a rotina de trabalho?
Ana Colônia - São atendidas 122 crianças com os atendimentos de fisioterapia, fonoaudiologia, serviço social, pedagógico, brinquedoteca. Nosso trabalho começa pela triagem, que é feita pelo setor de serviço social, depois o aluno é encaminhado de acordo com a necessidade de cada um.

4) Qual o período de seu mandato, e quais novidades nesta nova administração?
Ana Colônia - O período do meu mandato é do dia 1° de janeiro de 2011 a 31 de dezembro de 2014, quanto às novidades é de dar continuidade aos trabalhos desenvolvidos, buscar novos parceiros.

5) O que você tem a dizer sobre o crescimento da participação da mulher nas instituições e na vida política, tendo como exemplos a eleição da primeira mulher para a presidência do Brasil, da segunda mulher para governar o estado do Rio Grande do Norte e a eleição da primeira mulher para administrar o município de Touros?
Ana Colônia - Tenho certeza que isto contagiou muitas mulheres, pois, faz-se crer que a força e a coragem das mulheres crescem, a cada dia, principalmente tendo como o fator principal a nossa presidenta Dilma, que teve uma vida sofrida e hoje é considerada símbolo brasileiro nacional, a nossa prefeita Luciana Faria e a governadora do estado do RN, Rosalba Ciarlini, isso só nos impulsiona a segui-las e correr atrás dos nossos  objetivos e direito como mulher.

6) Qual a sua mensagem final para os apaeanos tourenses?
Ana Colônia - Que 2011 seja repleto de alegria, saúde, paz, e que Deus me abençoe e me dê sabedoria nessa nova caminhada.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

“A vantagem acadêmica de Cuba – Por que seus alunos vão melhor na escola” - Martin Carnoy


Recentemente li o livro “A vantagem acadêmica de Cuba – Por que seus alunos vão melhor na escola”, de Martin Carnoy, professor de Educação e Economia da Universidade Stanford, além de consultor em políticas públicas de recursos humanos para o Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Banco de Desenvolvimento Asiático, Unesco, Unicef e OCDE.

O livro é fruto de uma pesquisa comparativa que envolveu o Brasil, o Chile e Cuba e faz o seguinte questionamento: O que será que acontece nas escolas cubanas e que não acontece nas escolas chilenas e brasileiras?

A obra não é autoria do governo cubano. Neste sentido preza pela sua isenção, e constata o trabalho sério e comprometido que é feito na área da educação em Cuba, em comparação com outras realidades como a do Brasil e do Chile.

                        Seguem abaixo algumas constatações e evidências expressas no livro, em função da pesquisa realizada pelo professor Martin Carnoy nos três países:

- Uma das chaves para o sucesso cubano em educação é o recrutamento, para o magistério, dos melhores alunos do ensino médio e a excelente formação que lhes é dada ao redor de um sólido currículo. Outra é a garantia de que os alunos são saudáveis e estão bem alimentados. E a terceira é o sistema de tutoria e supervisão dos professores, focada na melhoria da instrução.

- O elemento crucial é o compromisso total com a melhoria dos padrões de ensino e fazer o que for necessário para que este padrão chegue até as salas de aula do menor vilarejo das regiões mais pobres.

- O Estado cubano impõe rigidamente a implementação do currículo e os métodos de ensino por meio de uma cadeia de comando, que começa com o ministro da Educação, passa por diretores e diretores assistentes, que supervisionam os professores em sala de aula, e termina com os professores sentindo-se competentes e responsáveis pela transmissão de um currículo bem definido.

- Como a educação cubana é tão centrada na criança, os professores do primeiro ciclo do ensino fundamental, em geral, ficam com seus alunos durante os quatro primeiros anos da escola, desenvolvendo uma relação de longo prazo.

- O magistério é considerado uma profissão de relativo prestígio e o salário é somente um pouco mais baixo que o dos médicos e quase o mesmo do das outras profissões (cerca de 300 a 450 pesos por mês, ou de US$13 a US$18).

- A sociedade cubana é rigidamente controlada. As opções individuais existem, mas são mais limitadas que no Chile ou no Brasil. A questão de opção é complexa, já que as crianças de famílias pobres no Brasil e no Chile podem ter mais “opções” que as crianças cubanas da zona rural ou de baixa renda da zona urbana, mas muitas dessas opções não são positivas, como trabalhar em biscates, vagabundear em vez de freqüentar a escola, envolver-se em atividades ilícitas ou se unir a uma gangue. As crianças pobres brasileiras e chilenas podem ter mais opções, mas também é muito mais provável que passem fome, sejam moradoras de rua e tenham uma saúde frágil.

- No Brasil e no Chile, as famílias dispõem de opções educacionais consideráveis, como a permissão ou não para os filhos se ausentarem ou a escolha da escola a ser freqüentada, se existir mais de uma na vizinhança. O ensino é obrigatório, mas a presença obrigatória é imposta em geral pelas iniciativas de diálogo da escola com os pais e pelo esforço do Estado em ajudar os estudantes das famílias de baixa renda com incentivos financeiros. Nas áreas rurais e urbanas marginalizadas, as ausências são comuns, tanto entre alunos como entre professores. O Chile subvenciona totalmente as escolas particulares; assim os pais podem escolher entre muitas escolas, além do sistema público de educação.

- Se uma criança não estiver se saindo bem na escola no Brasil ou no Chile, isso é tratado, na prática, como um problema no qual a família tem a maior responsabilidade.

- Em Cuba, a escola formalmente compartilha a responsabilidade pelo desempenho social e acadêmico da criança, e se a escola não for capaz de solucionar o problema, o pessoal da prefeitura entra na discussão. As dificuldades familiares são acompanhadas pelos professores e pelos gestores escolares.

- O fato de a criança ter um único professor da primeira a quarta séries (o que agora será estendido até a sexta série e estar na escola das oito da manhã até às quatro da tarde com o professor cria uma relação quase parental entre professor e aluno.

- A intervenção dos Estados brasileiro e chileno na vida das crianças é muito menor do que em Cuba. Todas as mulheres cubanas que trabalham, por exemplo, têm acesso a creches e programas de pré-escola para crianças muito pequenas (maternal).

- A educação chilena é profundamente influenciada por uma ideologia que deposita fé indevida nas forças de mercado para a melhoria do ensino aprendizagem. Cerca de 38% dos estudantes dos ensinos fundamental e médio agora freqüentam escolas privadas associadas ao sistema de vale educação (voucher, implantado pelo regime militar no início dos anos 80; 9% vão a escolas privadas independentes (não associadas ao sistema de vale-educação) e53% estão nas escolas públicas.

- O currículo cubano não aborda tanto conteúdo quanto alguns livros didáticos (no Brasil), mas, basicamente, todos os estudantes cubanos estudam todo o conteúdo do currículo cubano especificado.

- Os professores da escola primária cubana têm um nível mais alto de conhecimento de conteúdo, especialmente em matemática, graças principalmente aos maiores níveis de matemática que aprendem no ensino médio.

- A formação do professor cubano é organizada rigidamente em torno do ensino do currículo nacional obrigatório.

- Os professores são supervisionados de perto em seu trabalho em sala de aula pelos diretores e vice-diretores. Toda escola cubana está focada no ensino e a responsabilidade principal dos gestores escolares é assegurar que os alunos estão alcançando os objetivos acadêmicos claramente especificados.

- Em Cuba, o absenteísmo parece muito baixo, em parte porque, se a criança ficar doente por mais de um ou dois dias, um professor geralmente irá até a casa dela, para se certificar deque tudo está bem.

- Pode-se afirmar que, em Cuba, os professores evitam as ausências por medo.Pode até ser, mas também é provável que os professores, tanto em Cuba como no Chile e em muitas escolas brasileiras, compareçam com regularidade porque foram ensinados a trabalhar diariamente e a não faltar. Ficamos com a impressão, principalmente em Cuba, de que os professores são ensinados a se sentir responsáveis pelos seus alunos e pela sua aprendizagem.

- É importante mencionar outra diferença entre as escolas cubanas e as escolas chilenas e brasileiras. Há muito tempo Cuba possui escola de tempo integral das 8h15 às 16h20, com um intervalo de uma hora e meia para o almoço.

- Em Cuba, o método de ensino pode ser melhor descrito como participativo, mas é muito diretivo. Como na França e em muitos outros países europeus, os estudantes cubanos gastam a maior parte do seu tempo trabalhando individualmente em atividades de matemática, distribuídas pelo professor em folhas de papel. Depois da conclusão do trabalho, o professor revisa os problemas com os alunos, perguntando aos que não chegaram às respostas certas como eles abordaram os problemas e, em seguida, discutindo com o restante da classe e com cada estudante as origens dos erros.

- Tanto em Cuba como no Chile, os estudantes de todas as escolas que visitamos tinham acesso a computadores e programas de computador; em Cuba, cada escola tinha até mesmo um especialista em informática.

- Muito poucas escolas brasileiras utilizam atividades preparadas, algo que era razoavelmente comum no Chile e em Cuba. O fato de ter de copiar problemas de matemática da lousa antes de começar a solucioná-las afeta, sem dúvida, o uso do tempo da aula.

- O alto desempenho dos estudantes cubanos não é um acaso feliz. De fato é, em parte, resultado da instrução média mais alta dos pais e da maior quantidade de livros nas casas das famílias cubanas, principalmente em comparação com as famílias brasileiras.

- Os cubanos consomem mais saúde pública e educação pública do que os grupos de renda mais alta do Brasil e do Chile. A pobreza existe em Cuba, mas mesmo os muito pobre têm acesso a comida, moradia, saúde pública e educação. A conseqüência é que quase nenhum estudante da terceira ou quarta séries trabalha fora de casa em Cuba, mas, no Brasil os números revelam que isso acontece.

- Na essência, a educação cubana oferece à maioria dos alunos uma educação básica que somente crianças da classe média alta recebem em outros países da América Latina.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O poder e a articulação política em Touros



Em inúmeras oportunidades utilizei o espaço denominado Megafone, do jornal Folha do Mato Grande, para criticar a postura administrativa dos governantes tourenses, pela falta de visão estratégica e pela pequenez política que levam a administrações focadas, essencialmente, no patrimonialismo.

Touros é um município que tem potencial econômico, político e cultural; privilegiado por estar distante, apenas, cem quilômetros da capital do estado e uma relativa estrutura administrativa em sua sede, que pode, efetivamente, contribuir para uma significativa melhoria de gestão.

Apesar do pouco investimento em áreas como a educação, nas últimas décadas, pode-se dizer que o município tem expressivos filhos atuando nas mais variadas instituições do estado e do Brasil. Além dos filhos naturais do lugar, existem os filhos dos filhos de Touros, alguns que já contribuíram, de alguma forma, e outros que estão na labuta profissional cotidianamente.

Não querendo ser injusto com os tourenses que não conheço, diz o dito popular que só se fala daquilo que se conhece. São exemplos, de filhos de Touros e filhos de filhos, que poderiam contribuir, somar, e ajudar a redirecionar o foco administrativo para buscar uma melhor qualidade de vida para os tourenses, a professora Maria Antônia Teixeira da Costa, Profa. Doutora da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte – UERN; o engenheiro José Américo de Souza Júnior, Prof. do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RN – IFRN; o Prof.João Bosco Araújo Teixeira, prof. aposentado do IFRN e ex-consultor da Fundação Banco do Brasil; o médico Ivanildo Cortez de Souza, prof. Doutor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN e o embaixador Antônio de Aguiar Patriota, confirmado como Ministro das Relações Exteriores do governo Dilma Rousseff.

Em meu humilde ponto de vista, acredito que qualquer gestor público com visão estratégica, principalmente de uma região sofrida e pobre como a região Nordeste, veria nessas pessoas citadas e em muitas outras que não citei, algumas por não conhecê-las, canais de contribuição para o crescimento e engrandecimento do município, nas mais diversas áreas em prol do desenvolvimento.

A ida a capital federal, com projetos bem elaborados, poderiam ser intermediados por alguns desses cidadãos, como o prof. Bosco Teixeira, que residiu por anos em Brasília, e o ministro atualmente escolhido para o Itamaraty, Antônio Patriota.

Em vez de a ida dos gestores municipais a Brasília ter por finalidade jantares em residências de políticos representantes do Rio Grande do Norte, na Câmara e no Senado, não desconhecendo que o contato e a intermediação com representantes políticos é importante, mas as viagens bem que poderiam e deveriam ter um foco mais técnico, com a contribuição efetiva desses tourenses e filhos de tourenses.

É assim que acredito no papel político do gestor: visão estratégica e compromisso com os reais interesses da população, em prol do crescimento e do desenvolvimento do município, beneficiando toda a população tourense, especialmente os menos favorecidos social e economicamente.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Interventor da Colônia de Pescadores de Touros, Gildenes Santos, concede entrevista


Gildenes Santos

Depois de longo período na condição de interventor da Colônia de Pescadores Z-2 nomeado pelo Juiz Dr. Rivaldo Pereira Neto, em função da Ação Judicial (processo nº 158.09.000574-7) impetrada por associados da Colônia, Gildenes Raimundo dos Santos concede nova entrevista.

1) Qual o balanço que você faz do trabalho realizado como interventor  da Colônia de Pescadores, depois de todo esse período e das condições em que foi recebida a entidade, segundo suas próprias palavras na entrevista anterior?

Gildenes - Fui nomeado interventor para administrar a Colônia de Pescadores de Touros e convocar as eleições assim que possível. Essa intervenção não teve prazo determinado para conclusão, pois havia muitas providências a serem realizadas. Ao final, o resultado foi bastante positivo, pois pudemos demonstrar a todos que seria possível realizar um trabalho novo e construtivo para a Colônia de Pescadores de Touros, através de providências tais como:
1) Cancelamento das cobranças de taxas por serviços extras realizados pela colônia, tais como xerox, preenchimento de formulários, agendamento de benefícios, etc, diminuindo assim os valores cobrados aos associados;
2) Pagamento de todos os débitos existentes de água, luz, telefone, funcionários, impostos, taxas e multas, com Receita Federal e outros órgãos em atraso;
3) Fomentação de eventos sobre a pesca realizados pelo ministério da pesca no município de Touros com o propósito de conscientização e melhores praticas no desenvolvimento da atividade;
4) Fomentação de projeto de Maricultura na praia de Touros através do Ministério da Pesca, o qual disponibilizar para o próximo ano toda infraestrutura necessária para a criação de peixes em aguas maritimas. O investimento será de aproximadamente R$ 10 mil reais por família durante todo o projeto;
5) Regularização dos contratos e salários dos funcionários da colônia, pois os funcionários trabalhavam com vinculo de forma irregular  e recebendo R$ 150,00 (cento e cinqüenta reais) mensais. Atualmente os funcionários tiveram seus contratos regularizados e recebem cada um R$ 600,00 (seiscentos reais) mensais;
6) Reativação do CNPJ junto à receita federal, o qual se encontrava cancelado;
7) reativação da conta corrente da colônia de pescadores na agencia do Banco do Brasil, pois a mesma se encontrava fechada;
8) Contratação e disponibilização de um advogado aos associados da colônia de pescadores, pois muitos pescadores têm processos provenientes da atividade pesqueira;
9) Re-filiação da Colônia a Federação e Confederação de Pescadores, em virtude da mesma está desfiliada por decisão do presidente anterior, postergando o direito da Colônia ao registro sindical;
10) Realização da maior festa de São Pedro que a cidade de Touros já teve, com shows de bandas na rua e uma estrutura típica de carnaval;
11) Realização da tradicional corrida de jangadas, com premiação para os 30 (trinta) primeiros colocados de um pano de jangada cada, alem de premiação em dinheiro;
12) Reforma geral do prédio sede da Colônia, inclusive com ampliação de suas instalações, pois o mesmo se encontrava em ruínas;
13) Recadastramento geral de todos os associados da Colônia para a realização das eleições, devido a inexistência de registros na colônia informando quem eram os associados e quantos eram.
14) Instalação da Colônia itinerante, onde o atendimento aos pescadores é realizado no local que realizam suas atividade, evitando assim o seu deslocamento até a sede da colônia de pescadores e maiores despesas para o associado;
15) Aquisição de computadores novos, equipados cada um com impressora multifuncional e instalação de rede de dados para comunicação dos computadores, entre outras ações e aquisições realizadas.

2) Houve a participação efetiva dos pescadores em todo o processo de intervenção, contribuindo, assim, para a melhoria da entidade?

Gildenes - Sim. Mesmo que de forma tímida os pescadores participaram de muitas das decisões tomadas pela intervenção. Gostaríamos que essa participação tivesse ocorrido maciçamente, pois não faltaram esforços para tentar alcançar esse objetivo. Infelizmente, ainda têm muitos associados que não participam das reuniões e assembléias que são convocadas na Colônia de Pescadores. Mesmo utilizando todos os meios possíveis, como carro de som, rádio e editais, para avisar os associados, a presença nessas reuniões ainda é pequena. Mesmo assim, os pontos mais importantes ou polêmicos foram decididos todos conjuntamente com os maiores interessados, que são os associados da Colônia de Pescadores.
Entretanto, o próximo presidente deverá continuar o trabalho de conscientização com os sócios, objetivando mostrar lhes que uma associação se faz com a participação de todos os seus associados. E somente com a presença deles na associação é que poderão evitar futuras irregularidades que possam prejudicar a Colônia e os pescadores.

3) Foram  promovidas discussões com a classe dos pescadores referentes ao regimento interno da entidade, de forma a favorecer aos interesses dos associados?
Gildenes - Sem dúvida. Durante todo esse tempo de intervenção, foram realizadas 5 (cinco) Assembléias Gerais Extraordinárias onde foi amplamente discutido sobre assuntos do interesse deles, especialmente sobre o processo eletivo para Diretoria e Conselho Fiscal da Colônia de Pescadores para o qual fui nomeado interventor. Nessas Assembléias sempre houve bastante discussão referente ao Estatuto, pois muitos não conheciam o seu teor e buscavam esclarecimentos. Além das assembléias, também foram realizadas 4 (quatro) reuniões, onde buscamos demonstrar direitos e deveres dos associados.

4) Como foi construído o processo que leva a realização de eleições para o comando da entidade, quantas chapas estão concorrendo e qual será a duração do mandato?

Gildenes - Qualquer processo eleitoral de uma associação deve seguir as normas esculpidas no Estatuto da entidade, uma vez que o mesmo fora aprovando por mais de 2/3 (dois terços) dos seus associados. Se não observadas essas normas, o pleito poderá ser cancelado por desrespeito e afronta às disposições legais. No próprio estatuto encontramos todas as regras que deverão ser aplicadas tanto aos eleitores quanto aos candidatos, desde a documentação até aos prazos. E no que o estatuto for omisso, será resolvido pela Federação dos Pescadores. Até o presente momento desta terça-feira, (07/12/2010) estão oficialmente registradas 2 (duas) chapas. A chapa de Nalvinha e a de Dedé “Bundão”. De acordo com o Estatuto em vigor, a duração do mandato é de 4 (quatro) anos, mas segundo o Código Civil, o mandato deveria ter duração de no máximo 3 (três) anos. O próximo presidente eleito deverá promover algumas adequações no estatuto da Colônia para se adequar a legislação vigente.

5) O que você tem a dizer sobre algumas mensagens postadas no “Megafone do jornal Folha do Mato Grande”, em que citam como candidata a senhora Nalvinha, que exerce a função de funcionária da Colônia, sobre reclamações de que não existe prestação de contas aos associados e, ainda, que a inscrição para candidato a presidente da Colônia tem que ser realizada na Federação, em Natal?

Gildenes - É muito difícil falar sobre algo dito por alguém que não se identifica. Também é muito difícil acreditar que essa pessoa tão revoltada possa ser realmente pescador ou pescadora. É mais difícil ainda achar que uma pessoa dessas queira realmente contribuir com algo de útil para pescadores que são os reais interessados na situação da colônia. Mesmo assim, vamos lá:
Nalvinha trabalhou na Colônia de Pescadores até o dia 20 de novembro, data que a mesma se afastou para concorrer às eleições da Colônia, exercendo, assim, o direito previsto no estatuto da entidade, uma vez que a mesma é sócia da Colônia de Pescadores desde 2002, quando na época, o Presidente era o Saudoso Xixita. 
Em relação à prestação de contas, o que tenho a dizer é que a mesma se encontra a disposição para consulta e exame de qualquer associado. Mensalmente, a prestação de conta é contabilizada e encadernada, juntamente com todos os comprovantes de receitas e despesas realizadas no período. Qualquer sócio poderá solicitar a prestação de contas e tirar cópias de toda documentação. E isso é de conhecimento de todos que tenham participado de pelo menos uma das 9 (nove) reuniões realizadas nessa intervenção.
Já inscrição para candidato a presidente da Colônia deverá ser realizada por meio de chapa diretamente na Colônia de Pescadores, carecendo a mesma ser registrada na Federação de Pescadores do Rio Grande do Norte para fins de publicidade e maior transparência ao processo. Esse registro poderá ser realizado diretamente pelo representante da chapa ou através da própria Colônia de Pescadores. O registro das chapas está previsto no regimento da Federação de Pescadores e esse procedimento é comum a todas as Colônias filiadas a Federação e Confederação de Pescadores.

6) Depois dessa experiência como interventor da Colônia, existe de sua parte interesse em entrar para a vida pública disputando cargos, seja no legislativo ou no executivo, no município de Touros?

Gildenes - No momento não penso em disputar nenhum cargo eletivo. Estou cursando a faculdade de Direito e pretendo me dedicar a ela. Gostei muito da experiência que tive na Colônia de Pescadores de Touros, pois enfrentamos problemas reais que afligem todo o nosso município, que em sua maior parte, é agrícola e pesqueiro, e pude ajudar muitas pessoas. E diante de tantos problemas que nosso município enfrenta, vou continuar tentando contribuir de alguma forma com o nosso povo.