quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Interventor da Colônia de Pescadores de Touros, Gildenes Santos, concede entrevista


Gildenes Santos

Depois de longo período na condição de interventor da Colônia de Pescadores Z-2 nomeado pelo Juiz Dr. Rivaldo Pereira Neto, em função da Ação Judicial (processo nº 158.09.000574-7) impetrada por associados da Colônia, Gildenes Raimundo dos Santos concede nova entrevista.

1) Qual o balanço que você faz do trabalho realizado como interventor  da Colônia de Pescadores, depois de todo esse período e das condições em que foi recebida a entidade, segundo suas próprias palavras na entrevista anterior?

Gildenes - Fui nomeado interventor para administrar a Colônia de Pescadores de Touros e convocar as eleições assim que possível. Essa intervenção não teve prazo determinado para conclusão, pois havia muitas providências a serem realizadas. Ao final, o resultado foi bastante positivo, pois pudemos demonstrar a todos que seria possível realizar um trabalho novo e construtivo para a Colônia de Pescadores de Touros, através de providências tais como:
1) Cancelamento das cobranças de taxas por serviços extras realizados pela colônia, tais como xerox, preenchimento de formulários, agendamento de benefícios, etc, diminuindo assim os valores cobrados aos associados;
2) Pagamento de todos os débitos existentes de água, luz, telefone, funcionários, impostos, taxas e multas, com Receita Federal e outros órgãos em atraso;
3) Fomentação de eventos sobre a pesca realizados pelo ministério da pesca no município de Touros com o propósito de conscientização e melhores praticas no desenvolvimento da atividade;
4) Fomentação de projeto de Maricultura na praia de Touros através do Ministério da Pesca, o qual disponibilizar para o próximo ano toda infraestrutura necessária para a criação de peixes em aguas maritimas. O investimento será de aproximadamente R$ 10 mil reais por família durante todo o projeto;
5) Regularização dos contratos e salários dos funcionários da colônia, pois os funcionários trabalhavam com vinculo de forma irregular  e recebendo R$ 150,00 (cento e cinqüenta reais) mensais. Atualmente os funcionários tiveram seus contratos regularizados e recebem cada um R$ 600,00 (seiscentos reais) mensais;
6) Reativação do CNPJ junto à receita federal, o qual se encontrava cancelado;
7) reativação da conta corrente da colônia de pescadores na agencia do Banco do Brasil, pois a mesma se encontrava fechada;
8) Contratação e disponibilização de um advogado aos associados da colônia de pescadores, pois muitos pescadores têm processos provenientes da atividade pesqueira;
9) Re-filiação da Colônia a Federação e Confederação de Pescadores, em virtude da mesma está desfiliada por decisão do presidente anterior, postergando o direito da Colônia ao registro sindical;
10) Realização da maior festa de São Pedro que a cidade de Touros já teve, com shows de bandas na rua e uma estrutura típica de carnaval;
11) Realização da tradicional corrida de jangadas, com premiação para os 30 (trinta) primeiros colocados de um pano de jangada cada, alem de premiação em dinheiro;
12) Reforma geral do prédio sede da Colônia, inclusive com ampliação de suas instalações, pois o mesmo se encontrava em ruínas;
13) Recadastramento geral de todos os associados da Colônia para a realização das eleições, devido a inexistência de registros na colônia informando quem eram os associados e quantos eram.
14) Instalação da Colônia itinerante, onde o atendimento aos pescadores é realizado no local que realizam suas atividade, evitando assim o seu deslocamento até a sede da colônia de pescadores e maiores despesas para o associado;
15) Aquisição de computadores novos, equipados cada um com impressora multifuncional e instalação de rede de dados para comunicação dos computadores, entre outras ações e aquisições realizadas.

2) Houve a participação efetiva dos pescadores em todo o processo de intervenção, contribuindo, assim, para a melhoria da entidade?

Gildenes - Sim. Mesmo que de forma tímida os pescadores participaram de muitas das decisões tomadas pela intervenção. Gostaríamos que essa participação tivesse ocorrido maciçamente, pois não faltaram esforços para tentar alcançar esse objetivo. Infelizmente, ainda têm muitos associados que não participam das reuniões e assembléias que são convocadas na Colônia de Pescadores. Mesmo utilizando todos os meios possíveis, como carro de som, rádio e editais, para avisar os associados, a presença nessas reuniões ainda é pequena. Mesmo assim, os pontos mais importantes ou polêmicos foram decididos todos conjuntamente com os maiores interessados, que são os associados da Colônia de Pescadores.
Entretanto, o próximo presidente deverá continuar o trabalho de conscientização com os sócios, objetivando mostrar lhes que uma associação se faz com a participação de todos os seus associados. E somente com a presença deles na associação é que poderão evitar futuras irregularidades que possam prejudicar a Colônia e os pescadores.

3) Foram  promovidas discussões com a classe dos pescadores referentes ao regimento interno da entidade, de forma a favorecer aos interesses dos associados?
Gildenes - Sem dúvida. Durante todo esse tempo de intervenção, foram realizadas 5 (cinco) Assembléias Gerais Extraordinárias onde foi amplamente discutido sobre assuntos do interesse deles, especialmente sobre o processo eletivo para Diretoria e Conselho Fiscal da Colônia de Pescadores para o qual fui nomeado interventor. Nessas Assembléias sempre houve bastante discussão referente ao Estatuto, pois muitos não conheciam o seu teor e buscavam esclarecimentos. Além das assembléias, também foram realizadas 4 (quatro) reuniões, onde buscamos demonstrar direitos e deveres dos associados.

4) Como foi construído o processo que leva a realização de eleições para o comando da entidade, quantas chapas estão concorrendo e qual será a duração do mandato?

Gildenes - Qualquer processo eleitoral de uma associação deve seguir as normas esculpidas no Estatuto da entidade, uma vez que o mesmo fora aprovando por mais de 2/3 (dois terços) dos seus associados. Se não observadas essas normas, o pleito poderá ser cancelado por desrespeito e afronta às disposições legais. No próprio estatuto encontramos todas as regras que deverão ser aplicadas tanto aos eleitores quanto aos candidatos, desde a documentação até aos prazos. E no que o estatuto for omisso, será resolvido pela Federação dos Pescadores. Até o presente momento desta terça-feira, (07/12/2010) estão oficialmente registradas 2 (duas) chapas. A chapa de Nalvinha e a de Dedé “Bundão”. De acordo com o Estatuto em vigor, a duração do mandato é de 4 (quatro) anos, mas segundo o Código Civil, o mandato deveria ter duração de no máximo 3 (três) anos. O próximo presidente eleito deverá promover algumas adequações no estatuto da Colônia para se adequar a legislação vigente.

5) O que você tem a dizer sobre algumas mensagens postadas no “Megafone do jornal Folha do Mato Grande”, em que citam como candidata a senhora Nalvinha, que exerce a função de funcionária da Colônia, sobre reclamações de que não existe prestação de contas aos associados e, ainda, que a inscrição para candidato a presidente da Colônia tem que ser realizada na Federação, em Natal?

Gildenes - É muito difícil falar sobre algo dito por alguém que não se identifica. Também é muito difícil acreditar que essa pessoa tão revoltada possa ser realmente pescador ou pescadora. É mais difícil ainda achar que uma pessoa dessas queira realmente contribuir com algo de útil para pescadores que são os reais interessados na situação da colônia. Mesmo assim, vamos lá:
Nalvinha trabalhou na Colônia de Pescadores até o dia 20 de novembro, data que a mesma se afastou para concorrer às eleições da Colônia, exercendo, assim, o direito previsto no estatuto da entidade, uma vez que a mesma é sócia da Colônia de Pescadores desde 2002, quando na época, o Presidente era o Saudoso Xixita. 
Em relação à prestação de contas, o que tenho a dizer é que a mesma se encontra a disposição para consulta e exame de qualquer associado. Mensalmente, a prestação de conta é contabilizada e encadernada, juntamente com todos os comprovantes de receitas e despesas realizadas no período. Qualquer sócio poderá solicitar a prestação de contas e tirar cópias de toda documentação. E isso é de conhecimento de todos que tenham participado de pelo menos uma das 9 (nove) reuniões realizadas nessa intervenção.
Já inscrição para candidato a presidente da Colônia deverá ser realizada por meio de chapa diretamente na Colônia de Pescadores, carecendo a mesma ser registrada na Federação de Pescadores do Rio Grande do Norte para fins de publicidade e maior transparência ao processo. Esse registro poderá ser realizado diretamente pelo representante da chapa ou através da própria Colônia de Pescadores. O registro das chapas está previsto no regimento da Federação de Pescadores e esse procedimento é comum a todas as Colônias filiadas a Federação e Confederação de Pescadores.

6) Depois dessa experiência como interventor da Colônia, existe de sua parte interesse em entrar para a vida pública disputando cargos, seja no legislativo ou no executivo, no município de Touros?

Gildenes - No momento não penso em disputar nenhum cargo eletivo. Estou cursando a faculdade de Direito e pretendo me dedicar a ela. Gostei muito da experiência que tive na Colônia de Pescadores de Touros, pois enfrentamos problemas reais que afligem todo o nosso município, que em sua maior parte, é agrícola e pesqueiro, e pude ajudar muitas pessoas. E diante de tantos problemas que nosso município enfrenta, vou continuar tentando contribuir de alguma forma com o nosso povo.


domingo, 10 de outubro de 2010

Frei Betto escreve na Folha de São Paulo sobre Dilma e a fé cristã




Foto: camacarifatosefotos.com.br


Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária aos princípios do Evangelho e da fé cristã


Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte. Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência. Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho. Nada tinha de "marxista ateia".

Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.

Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois  anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória - diria, terrorista - acusar Dilma Rousseff de "abortista" ou contrária aos princípios evangélicos.

Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade. Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo.


Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica. Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que "a árvore se conhece pelos frutos", como acentua o Evangelho.


É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam.

Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto...

Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.


Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.

Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes.

A resposta de Jesus surpreendeu: "Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes..." (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz. Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.

FREI BETTO, frade dominicano, é assessor de movimentos sociais e escritor, autor de "Um homem chamado Jesus" (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004, governo Lula).

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Touros carece de líderes políticos


Bandeira do município de Touros


Após a Assembléia Constituinte de 1988, o primeiro prefeito eleito no município de Touros, para a gestão 1989/1992, foi o ex-secretário de Administração da gestão Pedro de Andrade Ribeiro, Carlos Alberto Câmara de Carvalho, o Carlão.

Carlão, a princípio, estava ligado ao grupo que havia fundado o Partido Socialista Brasileiro – PSB, no município, o professor João Bosco Teixeira e este articulista. As articulações eram construídas em torno da candidatura dele, Carlão, para prefeito de Touros, pela sigla socialista, o que não ocorreu, saindo o ex-secretário municipal candidato a prefeito pelo Partido Liberal – PL, do ex-deputado federal Flávio Rocha. Mesmo com essa demonstração de fisiologismo político, o candidato obteve o apoio da sigla socialista, chegando ao poder municipal nas eleições de 1988, pela maioria dos votos dos tourenses, fruto do carisma que transmitia ao eleitorado.

Apesar dos compromissos assumidos em prol de uma administração voltada para o interesse dos menos favorecidos socialmente, não foi o que ocorreu no decorrer da gestão, tornando-a apática; o que descambou para o impeachment ocorrido no início de 1992, com o apoio do PSB, que antes apoiava Carlão, assumindo o vice, Josemar França.

Historicamente em Touros, os que se acham lideranças políticas no município, costumam construir as suas carreiras alicerçadas no sobrenome familiar, com uma administração focada no patrimonialismo e no nepotismo, tentando passar o poder de pai para filho, e quando muito as realizações são obras físicas, deixando para segundo plano uma administração calcada na qualidade da educação, saúde e investimentos na qualificação profissional dos munícipes, desfavorecendo o crescimento do Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, do município.

Pode-se dizer que os únicos dois momentos da história política recente de Touros em que os candidatos a prefeito não tiveram origem na tradição política familiar, foram a eleição de Carlão, em 1988, e a candidatura de Cesar José de Oliveira, pelo Partido dos Trabalhadores – PT, no ano 2000, quando foi oferecida à população, a oportunidade de votar em um candidato originário dos movimentos sociais ligados aos trabalhadores do campo.

Não há pecado em pertencer a famílias tradicionais e exercer a política partidária. O pecado reside no fato de transformar o partido político em uma agremiação familiar e o poder executivo em uma plataforma para suceder a parentada a cada eleição. Afinal, já dizia o filósofo que o homem é um animal político.

Contrastando essa análise das “lideranças” tourenses com as características inerentes a um líder: motivação para uma causa, investimento na formação de outros líderes, carisma, habilidade de negociação ouvindo as outras pessoas e foco nos objetivos, percebemos que esses traços não são característicos dos que se acham líderes políticos no município de Touros.

Geralmente, terminado o processo eleitoral, esse “líderes” somem do município, sem uma inserção no dia a dia da comunidade para o debate dos problemas existentes, tentando encontrar saídas e soluções.

Faz-se urgente uma reforma política no Brasil, que se traduza em menor número de partidos com maior nitidez ideológica, e que permita o surgimento de novas lideranças políticas, advindas dos movimentos sociais e inseridas no dia a dia da comunidade (professores, pescadores, agricultores, profissionais liberais, funcionários públicos, estudantes, etc) e não “líderes” fabricados em práticas políticas tradicionais que somente garantem a sustentação, no poder público, dos defensores do patrimonialismo e do nepotismo.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma


Artigo extraído do site: www.cartamaior.com.br

Leonardo Boff


Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso”pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais” onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida, me avaliza para fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.


Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.


Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade do pais, ao Presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.


Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.


Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma) “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e nãocontemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.


Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles tem pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidene de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.


Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados de onde vem Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e de “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.


O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.


Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.


O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA faz questão de não ver, protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.


O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e no fundo, retrógrado e velhista ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.


Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.



(*) Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa Internacional da Carta da Terra.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Reforma política urgente



Ao olhar o leque de candidaturas e alianças políticas construídas para as eleições de 2010, fica difícil para qualquer cidadão que seja formador de opinião, entender as costuras feitas pelas mais diversas agremiações partidárias, imagina para o cidadão comum que vai simplesmente, no dia 03 de outubro, expressar a sua vontade política, através das urnas.
Já não basta a infinidade de candidatos “famosos” que se apresentaram para o pleito desse ano, conforme retrata a mídia nacional:

No Esporte: Acelino Popó Freitas (PRB-BA)-deputado estadual; Maguila (PTN-SP)-deputado federal; Marcelinho Carioca (PSB-SP)-deputado federal; Romário (PSB-RJ)-deputado federal; Vampeta (PTB-SP)-deputado federal; Fabiano (PMDB-RS)-deputado estadual; Danrlei (PTB-RS)-deputado federal.

Na Música: Gaúcho da Fronteira (PTB-RS)-deputado estadual; Kiko (DEM-SP)-KLB, deputado federal; Leandro (DEM-SP)-KLB, deputado estadual. Netinho (PCdoB-SP) - Cantor do grupo Negritude, candidato ao senado; Reginaldo Rossi (PDT-PE)-deputado estadual; Renner (PP-GO)-dupla Rick&Renner, candidato ao senado; Sérgio Reis, Cantor e Ator-deputado federal; Tati Quebra Barraco (PTC-RJ)-Funkeira-deputada federal.

Na Televisão: Ronaldo Esper (PTC-SP) - estilista-deputado federal; Pedro Manso (PRB-RJ)-Humorista, deputado estadual; Dedé Santana (PSC-PR) – Humorista-deputado estadual; Tiririca (PR-SP)-Humorista-deputado federal; Batoré (PP-SP) – Humorista-deputado federal.

                        No caso específico do Rio Grande do Norte, é candidato a senador com uma posição a nível nacional, caso do senador Garibaldi Filho – PMDB/RN, e outra a nível estadual; é candidato a deputado estadual e presidente municipal da agremiação, Sargento Regina – PDT/RN, rasgando elogios ao líder da oposição, José Agripino.
                        E o caso mais recente é a criação de um comitê, por iniciativa do Partido Social Liberal - PSL e Partido Trabalhista Nacional - PTN, que visa reunir aliados da candidatura Dilma Rousseff e Rosalba Ciarlini no Rio Grande do Norte, segundo matéria de jornal local, do dia 08 de setembro de 2010.
                        Entendo que a representação política é ou deveria ser feita para expressar os pontos de vista ideológicos e políticos de um candidato, e não como barganha ou agradecimento por favorecimento pessoal prestado por esse ou aquele parlamentar.
Nada contra as opiniões pessoais de candidatos e eleitores, mas se fizermos uma análise lúcida do ponto de vista político-ideológico, é urgente que seja feita a reforma política e que haja uma legislação eleitoral mais rígida, especificamente para o período de campanhas.
Ou então teremos que optar entre a conhecida frase do escritor Nelson Rodrigues, que dizia: “Toda unanimidade é burra” ou o trecho do musical infantil “ Os Saltimbancos/1977, produzido por Chico Buarque de Holanda: ...Todos juntos somos fortes/Somos flecha e somos arco/Todos nós no mesmo barco/Não há nada pra temer... Preservada a devida contextualização da poesia, para não entrarmos, definitivamente, no reino da mediocridade.

sábado, 21 de agosto de 2010

Vinícius de Moraes


Aos poetas e amantes da liberdade


Foto: blogdojuniorr.blogspot.com


A reparação do governo brasileiro prestando uma homenagem póstuma ao poeta e diplomata Vinícius de Moraes, no Palácio do Itamaraty, elevando-o a condição de "Diplomata do Brasil", tirada de forma abrupta pela ditadura militar, confirma que o exercício do cargo público não é imcompatível com o fazer poético. Esse era um pensamento falso moralista instituído e implantado no Brasil que, graças a Deus e a democracia que está se reconstruindo, está dissipado e assim a história haverá de reconhecer outras tantas personalidades do campo intelectual e cultural deste país.

Dia Negro - Babal


Dia Negro - Babal, interpretado por Rejane Luna


Mística - Ivanildo Penha



Mística: música de Ivanildo Penha interpretada por Pedro Mendes e Axé Obá


terça-feira, 27 de julho de 2010

LEMBRANÇAS DO TERROR - Alvamar Queiroz




Por volta de 1965, estudante do ensino secundarista, Alvamar Costa de Queiroz teve o primeiro contato com militantes do Partido Comunista Brasileiro – PCB, que lhe mostravam revistas de origem russa sobre o socialismo, a igualdade e a distribuição da riqueza. “Quando eu olhava pro nosso povo e via a miséria, isso me dava uma revolta. E daí eu começava a sonhar que a única saída era o socialismo, o comunismo”, expressou.

Alvamar, estudante do colégio Padre Monte, participava do encontro que havia com estudantes, intelectuais, anarquistas e artistas, na livraria Universitária, na Pracinha das Cocadas (atual praça Kennedy) no bairro da Cidade Alta. O despertar do jovem idealista para a leitura dos clássicos (Máximo Gorki, Dostoievski, Victor Hugo) veio da convivência com essas pessoas. “Eu lembro de uma pessoa que eu tenho a maior admiração; o Luiz, da antiga Universitária, de Ismael Pereira. Uma figura interessante, um intelectual; de uma capacidade muito grande de incentivar a leitura e ele me incentivava muito à leitura. Luiz foi o maior livreiro que eu conheci até hoje”, disse.

Posteriormente vieram as leituras mais especializadas sobre o materialismo dialético, o materialismo histórico, o marxismo, que eram de difícil compreensão, pela pouca idade do jovem Queiroz. “Praticamente eu não tive uma infância e uma juventude. Eu não consegui viver, na minha época, a brincadeira das crianças. Com dezesseis anos eu já tava interessado nas questões sociais”, afirmou.

Filho de uma família católica conservadora, Queiroz foi coroinha nas missas do padre Nivaldo Monte (atualmente Arcebispo Emérito de Natal) e da igreja do Bom Jesus, no bairro da Ribeira, como estudante do colégio Salesiano. “Tive a mala arrumada pra ir pro Seminário e depois desisti”, externou.

O pai, ex-combatente, era de um arraigado patriotismo e anticomunista. “A relação com a família era conflituosa. Eu passava uma imagem de uma pessoa inconformada e de muita revolta com a questão social. Meu pai, por ser um homem sem conhecimento, não conseguia entender esse universo, ele não entendia que revolta era essa, que inconformação com a vida era essa, se ele mantinha a casa com comida, com estudo, com roupa, com tudo que nós necessitávamos”, explicou.

Já como militante ativista e estudante do Atheneu Norte-rio-grandense conheceu, através da Juventude Operária Católica – JOC, o padre Thiago Theisen (atual pároco de Santa Catarina) que realizava um trabalho na Favela do Maruim, no bairro das Rocas. “Um momento interessante da minha vida foi quando eu conheci o padre Thiago, das Quintas. Esse padre, uma figura extraordinária, que tinha um trabalho muito interessante no Maruim. Ali nós fazíamos um trabalho social; distribuíamos alimentos da Aliança para o Progresso. A gente tirava o alimento das latas, pra não ficar aquela Aliança para o Progresso; nós tínhamos uma posição contrária ao governo americano. Daí nós fazíamos a distribuição de alimentos naquela região, com o objetivo de sensibilizar e conscientizar os trabalhadores para a sua realidade. Era esse o nosso trabalho junto à igreja”, disse.

Depois de passar pela Frente Revolucionária Popular – FREP, pertencente ao Partido Comunista Brasileiro Revolucionário – PCBR, e Partido Comunista Revolucionário – PCR, Alvamar foi para a prisão em 1971, onde ficou recolhido por um ano, entre o 16º RI, Base Naval de Natal, Colônia Penal Dr. João Chaves e Batalhão de Engenharia. A prisão foi decorrente de pichações: “Abaixo Meira Matos!”, com lápis cera, contra a vinda do general Carlos de Meira Matos, do 16º Batalhão de Caçadores, de Cuiabá-MT, que estava para chegar a Natal. O general foi um dos ideólogos do regime militar e autor de livros como “Pensamento Revolucionário Brasileiro”. “Isso foi suficiente pra uma prisão, pra tortura, pra um desmantelo de vida. A pessoa que passa pela tortura (psicológica e física) desestrutura a pessoa. Eu cheguei a ser preso cinco vezes, antes de ficar recolhido durante um ano”, desabafou.

Após esse período de reclusão e tortura, Alvamar casou-se com uma companheira de militância, mas teve que seguir sozinho para a casa de familiares no Rio de Janeiro. De lá foi para Brasília, através de um parente deputado federal, com quem pensou em pegar algum dinheiro para sair do Brasil. Foi desaconselhado pelo deputado e passou 17 anos na capital federal. Não podia trabalhar nem estudar. “Ao sair da prisão, eu tive um contato com um entalhador, aqui do Rio Grande do Norte, chamado Manxa. Muito conhecido, muito famoso. E com o Manxa eu aprendi muito a entalhar, a incrustar cobre na madeira. Esse aprendizado foi muito bom pra minha vida, porque ao chegar a Brasília eu fui pra feira hippie; e na feira hippie eu passei a fazer parte daquele grupo que fazia as bugigangas pra sobreviver”, afirmou.

Em 1975, em Brasília, com muita depressão, angústia e conflito interior, Alvamar conheceu o Budismo. A partir daí reascendeu a esperança e a possibilidade de ajudar a construir a felicidade dos outros sem ser alienante.

Fazia concurso público e não ficava em alguns empregos, pois o passado de militante político ia de encontro a Lei de Segurança Nacional.

Após ter parado os estudos no segundo ano clássico, no Atheneu Norte-rio-grandense, concluiu o estudo secundário em um supletivo, em Brasília. Em 1978 formou-se em Geografia (licenciatura plena); dedicou-se ao ensino em várias escolas.

Em 1981, através de concurso, conseguiu ficar na Secretaria Especial de Meio Ambiente. Em 1990, a Secretaria passou a ser o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente – IBAMA. “Eu dizia muito que era a última coisa que eu queria ser na vida era servidor público. Por isso que muitas vezes eu passava num concurso e abandonava, porque não concebia esse ritmo muito lento, muito burocrático, muito difícil de executar as coisas. Quando eu abandonava o serviço público, caía num biscate. Eu fiz de tudo pra sobreviver (tentei ser vendedor, ser representante). Na Secretaria do Meio Ambiente eu dizia pras pessoas, desse ano eu não passo. Aí eu fui tomando gosto,” assinalou.

Participou da criação do PT; voltou ao trabalho de militante, nas favelas, com os sem-teto; participou do processo de redemocratização, através da aprovação da emenda Dante de Oliveira e foi candidato a deputado federal, em 1986. Especializou-se em Desertificação, em Educação Ambiental e em Gestão Ambiental.

A Secretaria Nacional de Meio Ambiente enviou Alvamar para o Nordeste, com a missão de sanar irregularidades em unidades da região. Com a intenção de voltar para a sua terra, o geógrafo ficou definitivamente como chefe responsável pelas estações ecológicas do Seridó/RN e Mamanguape/PB. Deixou um substituto na Paraíba e ficou trabalhando somente no Seridó. Nesse período fez mestrado e doutorado na área de educação, na UFRN.

Na época em que atuou na Estação Ecológica do Seridó, casou-se pela segunda vez com uma caicoense.
Hoje, como praticante do Budismo e vice-responsável da organização, em nível de Estado, disse: “É nessa organização que eu reconstruí a minha vida, que eu refiz o meu pensar e minha trajetória de vida. Eu entendo que cada ser humano tem a centelha da iluminação, por pior que ele seja. Essa centelha precisa ser tocada; no momento tocada, você pode mudar sua vida e começar a construir um mundo de paz”.

Atualmente Alvamar Costa de Queiroz é gerente executivo do IBAMA. “Os servidores do órgão indicaram o meu nome. No dia em que eu sair daqui, eu sou aquele educador que vai voltar lá pra salinha da Educação Ambiental”, finalizou.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Homenagem a Nilson Patriota




Touros é um município com uma cultura e uma história riquíssimas. Ontem, 13 de julho, segundo matéria do site www.folhadomatogrande.com.br, foi realizada uma homenagem póstuma a Nilson Patriota, na Academia Norte-rio-grandense de Letras.

O presidente da Academia, Diógenes da Cunha Lima, sugeriu, em homenagem a Nilson Patriota, que fosse erguida uma estátua em bronze, tamanho natural, no centro da cidade de Touros.

É uma vergonha vermos que a homenagem prestada ao escritor, na cidade, é o nome em uma biblioteca, cuja arquitetura do prédio é de uma loja de móveis ou armazém, para satisfazer a interesses próprios.

A cidade de Touros tem espaço suficiente para que seja construída uma biblioteca pública, com ambientação apropriada para o ato da leitura, além da colocação da estátua, com todas as informações biográficas do homenageado.

Administrar não é pires na mão em Brasília. É o exercício da criatividade, vontade política e gestores competentes, para que se possa mudar a realidade de muitas cidades, principalmente nas regiões mais carentes do Brasil.

sábado, 3 de julho de 2010

LEMBRANÇAS DO TERROR - Marcos Maranhão


Último depoimento dado por Marcos Maranhão antes de morrer

 
Marcos Maranhão

O depoimento de hoje relata um pouco da trajetória de Marcos Cavalcanti Maranhão, que não foi uma vítima direta da ditadura militar de 1964, mas estava na relação dos Anistiados políticos do RN, como representante do seu pai, Djalma Maranhão, ex-prefeito de Natal, retirado do poder pela ditadura militar e impedido de exercer o mandato por impeachment votado pela Câmara Municipal de Natal, no dia 02 de abril de 1964. Marcos, devido a problemas graves de saúde, enfrentados há cerca de 10 anos, morreu em casa, no dia 10 de julho de 2006.

“Marcos, meu filho; um grande abraço. O homem que se preocupa em ocupar o seu lugar dentro da sociedade em que vive, descortinando horizontes em novos ângulos, marcando a transição de um período que se ganha quando se ultrapassa a maioridade...
Entre os esportes e a literatura, preferiu ser um intelectual, um devorador de livros, deixando permanentemente desarrumada a biblioteca do pai... Meu filho: esta carta não é nenhum testamento... É a conversa franca de dois homens. Um mais idoso e outro mais jovem. Ainda espero viver bastante. E a vida não é somente luta e trabalho. O homem e a mulher necessitam divertir-se. A outra face. O lado ameno. Música e poesia. Um pouco de vinho, sim vinho, porque o vinho está nas Escrituras!... E na tua idade é a ideal para todas estas coisas. Aproveita. Aproveita bem.”
Este é o trecho de uma carta enviada, de Montevidéu, Uruguai, datada de 20 de agosto de 1968, por Djalma Maranhão, durante o seu período de exílio, para o filho Marcos Cavalcanti Maranhão, quando Marcos completou 21 anos. A carta está publicada no livro “Cartas de um Exilado”, juntamente a uma série de outras cartas enviadas por Djalma, para amigos e familiares.

Marcos foi estudante do Atheneu Norte-rio-grandense e a sua formação foi nas áreas da Sociologia, da História e do Direito. Não foi um estudante que demonstrasse interesse pelo ingresso na atividade política, como eram as tendências do seu pai Djalma e do tio Luis Maranhão Filho. “Quem Não passou pelo Atheneu pode dizer aquele verso: passou pela vida e não viveu. O Atheneu foi a grande escola de civismo, a grande escola de companheirismo. Era uma turma muito entusiasmada, muito boa; de grande amigos”, relatou Marcos.

Djalma Maranhão

Segundo relata Mailde Galvão, no livro: “1964. Aconteceu em Abril”, Djalma Maranhão foi prefeito de Natal até 02 de abril de 1964. “Não consegui testemunhas do momento em que foi efetuada a prisão; apenas dois funcionários viram o prefeito descer a escada de saída para a rua, escoltado por oficiais do Exército... O prefeito foi conduzido ao Quartel-General do Exército, àquele tempo localizado na praça André de Albuquerque; e levado a presença do coronel Mendonça Lima... O coronel lhe propôs que renunciasse ao cargo de prefeito e, em troca, teria assegurada a liberdade. O prefeito recusou em nome da honra e do povo que o elegeu; foi então, levado preso, incomunicável, para uma cela do quartel do 16º RI”. (GALVÃO, 2004 a, p. 49).

Durante o período de exílio de Djalma Maranhão, no Uruguai, Marcos viajou diversas vezes na companhia da sua mãe, Daria Maranhão, a Montevidéu. ...“Marcos, que não o acompanhou ao exílio, mas visitou-o quatro vezes, com passagens oferecidas pelo então senador Dinarte Mariz. Marcos recorda a enorme saudade que ele sentia e a ansiedade com que aguardava o fim da ditadura.” (GALVÃO, 2004 a, p.218).

“Meu pai, Djalma Maranhão, jornalista, diretor e dono de jornal, deputado estadual, deputado federal, foi uma das grandes figuras do Rio Grande do Norte. Foi cassado pelo golpe de 1964; depois ele foi libertado da prisão, por habeas-corpus do Supremo Tribunal Federal, e foi para Montevidéu. Lá ele morreu de enfarte e foi sepultado aqui em Natal, no cemitério do Alecrim. Eu tenho muita honra em ser filho de Djalma Maranhão. Fico, ainda, emocionado, hoje, em falar sobre esta figura tão ilustre. Um homem tão honesto; um homem tão organizado, no sentido de esperar a volta do Brasil à comunidade democrática. Djalma Maranhão deveria ser todos os dias lembrado nas escolas, nas escolas publicas, nas escolas particulares, como um grande a ser seguido aqui no Rio Grande do Norte”, desabafou Marcos Maranhão.

Marcos, depois de formado, advogou e foi professor na antiga Faculdade de Sociologia da Fundação José Augusto, onde ensinou Sociologia e Ciência Política. Foi professor da Academia de Polícia e freqüentou a Escola Superior de Guerra – ESG.

A atividade a que Marcos se dedicou com paixão, segundo relato dos amigos, foi a pesquisa histórica e o estudo da vida dos vultos históricos brasileiros. “Eu publiquei O Forte dos Reis Magos e a História Colonial do Rio Grande do Norte, aliás, com o prefácio muito honroso de Enélio Petrovich,” disse Marcos.

Marcos Maranhão foi uma figura polêmica em sua geração, por ser uma vítima indireta do golpe militar de 1964, já que seu pai, Djalma Maranhão, foi impedido de exercer a cidadania como político, no exercício do mandato, e ele (Marcos) ser tão próximo das autoridades militares, sendo convidado para diversas palestras e com uma infinitude de condecorações e diplomas oferecidos pelas forças militares como: Medalha de Ouro de Amigo da Marinha; Diploma de colaborador Emérito do Exército, o que pode ser atestado na sala da residência em que o historiador residia.

Por indicação de um grupo de intelectuais, Marcos Maranhão foi indicado para sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte – IHG. Foi admitido como vice-orador da entidade. “A minha convivência com Marcos foi no plano cultural, aqui no Instituto. Ele é um estudioso da nossa história, pesquisador. Ele lia uma página e reproduzia totalmente de cor. Dinarte, era a quem ele idolatrava; é natural, que apoiou o pai dele. Quando o pai dele morreu, trouxe (Dinarte) os restos mortais dele (Djalma) pra Natal. Ele tem essa gratidão e é muito justo. Em admirar o pai e ao mesmo tempo enaltecer os vultos das Forças Armadas, que ele era conhecedor profundo da vida de Tamandaré, de Caxias, não vejo nenhum conflito”, relatou Enélio Petrovich.

Marcos Maranhão casou-se em 1986, com Lúcia Fontoura, professora da UFRN.

Nos jornais “A Tribuna do Norte, em 21 de janeiro de 2001 e “A Verdade”, de fevereiro do mesmo ano, Marcos publicou um longo artigo intitulado: “Djalma Maranhão”, descrevendo a trajetória do político, nacionalista, ser humano, cidadão e pai de família, que foi Djalma Maranhão.

Marcos Maranhão foi Procurador Geral do município de Natal e Assessor jurídico do Departamento Estadual de Trânsito – DETRAN.

Este depoimento contou com a colaboração do próprio Marcos Maranhão, gravado no dia 16 de junho; do advogado Enélio Petrovich e da irmã de Marcos, Ana Maria Cavalcanti Maranhão, que reside atualmente em Brasília.

sábado, 19 de junho de 2010

BANDEIRINHAS DE TOUROS



Tradição nos Festejos Especiais a São Pedro


Apresentação do Grupo


Um dos mais tradicionais grupos de danças do folclore norte-rio-grandense é o grupo Bandeirinhas de Touros, existente há décadas. A dança das Bandeirinhas tem como característica principal a participação exclusiva de mulheres que se reúnem na casa da matriarca do grupo, para dançar forró e cantar cantigas alusivas aos santos venerados: São João, São Pedro e Santana.

Com uma tradição transmitida há várias gerações, desde a senhora Joana Pacheco, por volta de 1910; em seguida Francisca Conduru, nos anos 20 e, posteriormente, Geracina Alsina do Nascimento, nos anos 40 do século passado, a chama se mantém acesa com Josefa Odete de Melo (dona Finha), 88 anos, com presença marcante nos festejos juninos.

Dona Finha

Desde o seu surgimento, até alguns anos atrás, o grupo se reunia na casa da matriarca ao som de um trio de sanfona e, muitas vezes, com a presença do violeiro José Antão. Por volta da meia-noite saía, em cortejo, pelas ruas de Touros conduzindo a bandeira do santo louvado; em seguida ia para o banho no rio Maceió, que banha a cidade, e o retorno à casa sede.


 Grupo com a matriarca Dona Finha

Atualmente o grupo permite a participação masculina, como uma forma de apoio na compra das comidas e bebidas, já que o dinheiro arrecadado entre os participantes, apoiadores e comerciantes, não é suficiente para o pagamento dos músicos e a realização da festa, sem contar a indiferença do poder público para com a manifestação cultural.

Segundo o folclorista Deífilo Gurgel, em seu livro Danças Folclóricas do Rio Grande do Norte, publicado pela editora da UFRN, em 1981, “A dança das Bandeirinhas só existe na cidade de Touros. Dança sincrética, na qual o profano e o religioso coexistem nos números coreográficos apresentados...”.

Deífilo Gurgel - Foto: sergiovilar.blogspot.com

 
De acordo com dona Finha, Geracina, ao passar a responsabilidade das Bandeirinhas para ela, confidenciou-lhe: “Essa Bandeirinha vai ficar com você, minha comadre, até o fim da sua vida”.

“Vamos que vamos/com essa Bandeirinha/levar a São Pedro/ hoje é seu dia...”. Com os versos desta e de outras cantigas, mantendo a tradição dos festejos juninos, as Bandeirinhas de Touros celebram São Pedro, o santo padroeiro dos pescadores.

Bandeira de São Pedro - Padroeiro dos Pescadores

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Grupo escolar de Touros continua caindo

A candidata ao Senado da República Wilma de Faria, quando governadora do Rio Grande do Norte no dia 1º de janeiro de 2010, na procissão do Bom Jesus dos Navegantes, padroeiro de Touros, se comprometeu a dar início à reforma do prédio histórico do grupo escolar Cel. Antônio do Lago, dentro de três meses.

Em um segundo momento, a governadora foi entregar ações e obras no município de Touros, durante o mês de abril de 2010, e falou aos presentes que seria uma das primeiras ações do atual governador Iberê Ferreira de Souza.

O prédio está, a cada dia, em piores condições e ficam os seguintes questionamentos às autoridades governamentais do Rio Grande do Norte:

- O que será feito do prédio do grupo escolar Cel. Antônio do Lago?

- Quais explicações serão dadas pelos atuais candidatos ao governo e ao senado, pelo Rio Grande do Norte, ao povo de Touros durante a campanha?